domingo, 2 de dezembro de 2012

Pai, afasta do Brasil esse "cálice"!

José Maria Marin discursando na entrevista coletiva.
0 craque Ronaldo, fenômeno também na publicidade. Infelizmente, na propaganda que desrespeita o direito de questionar.

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Na entrevista coletiva que apresentava o novo treinador da seleção brasileira de futebol, Luis Felipe Scolari e o coordenador técnico, Carlos Alberto Parreira, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, o "Zé das Medalhas", tomou o microfone para discursar de maneira ufanista, bradando o espírito patriótico. O amor a pátria do mandatário da CBF segue a nada saudosa cartilha do regime militar do "Brasil, ame-o ou deixe-o". 
Marin iniciou sua carreira política como vereador pelo Partido de Representação Popular (PRP), criado por Plínio Salgado, o mesmo da Ação Integralista Brasileira dos anos 30. Nos anos 70, foi deputado estadual pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido de sustentação do Regime Militar. Foi vice-governador de São Paulo, o titular era o governador biônico Paulo Maluf. Ainda tem em seu currículo a infeliz frase direcionada ao diretor de jornalismo da TV Cultura, Vladimir Herzog, quando disse: "vem verificando os fatos negativos, pois não se vê nada de positivo, apresenta apenas miséria, apresenta problemas, mas não apresenta soluções" ... "é preciso mais do que nunca uma providência, a fim de que a tranquilidade volte a reinar não apenas nesta casa. Mas, principalmente, nos lares paulistanos." Percebe-se que o nobre presidente seguia muito bem o ideal repressivo e de combate a quem diverge de seus conceitos.
Voltando ao seu atual posto, na entrevista coletiva, como vocês podem ver no vídeo, Marin exalta sua decisão ao mesmo tempo que condena aqueles que não concordam com sua decisão de demitir Mano Menezes e contratar, Felipão, como anti-patriotas. Ao assistir, um arrepio que não foi de entusiasmo pelo discurso, mas de pavor de notar que infelizmente, o patriotismo dos militares, baseado no combate a quem diverge. Será que ele ainda não aprendeu que vivemos outro tempo, onde divergir é parte da liberdade que o regime de exceção que apoiava cerceou? Esqueceu Marin que os brasileiros gozam do sagrado direito à liberdade de expressão? Creio que sim.
Não bastasse a ridícula campanha publicitária da Brahma que chama os brasileiros que cobram equilíbrio e o bom uso do dinheiro público e por extensão, cumpra-se as obras programadas para a Copa do Mundo de pessimistas, agora este triste discurso. Se hoje, dois antes este discurso inflamado e propagandas enganosas de falso patriotismo nos enchem, imagina na Copa? Pai, afasta do Brasil esse "cálice"!

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